sexta-feira, 17 de outubro de 2008

O carcará sanguinolento

A verdade sobre os carcarás

Existe uma raça desprezível no mundo. Aliás, existem muitas. Mas essa em especial incomoda demais. São sujeitos desprovidos de qualquer caráter. Comparo-os a baratas, esses insetos ridículos prontos para se aproveitar de uma migalha aqui outra acolá. Falo do carcará. Recebe esse apelido justamente por agir à semelhança da ave homônima. Eis um trecho da definição encontrada por mim em um site especializado: “É uma ave de rapina imponente e elegante, de fisionomia severa. Aprecia pequenos vertebrados, aves domésticas e atacando também pequenos cordeiros recém-nascidos. Não despreza nem animais mortos em início de decomposição. Mata a presa com sucessivas bicadas na nuca, após a captura. Conhecida como a ‘águia do sertão’”.

O carcará da espécie humana é exatamente isso. Ataca você pelas costas. As facadas são controladas e pensadas. Explico melhor: o carcará é aquele sujeito sem qualquer competência para pegar a mulher e, no desespero, resolve falar mal de você pra ela. Sabendo que você está bem na fita, que a moça está se engraçando para o seu lado, ele tenta desqualificar você. Isso ocorre também quando você acabou de terminar o namoro com uma garota e o carcará resolve falar mal de você pra ela. No único e exclusivo intuito de devorá-la. O melhor é que normalmente, se você for um sujeito de caráter, o tiro sai pela culatra e a moça te defende.

Age dessa forma, como ave de rapina, como um carcará maldito em todos os campos da vida dele. No trabalho, na família, na escola, na faculdade. O carcará espera a mulher ir ao banheiro para esperá-la na saída. Quando a moça sai, ele a encosta na parede e dispara: “Não acredito que você vai ficar com esse moleque”.

Alguns agem até mais friamente. Ficam amigos do cara. Arrancam-lhe uma declaração confusa, uma frase distorcida do contexto, uma revelação pecaminosa para jogá-la nos ouvidos da moça como se um denunciante fosse. “Olha, ontem na mesa do bar ele disse que você era meio chata. Nunca vi um cara expor uma mulher como ele fez”, diz o carcará à mulher. “E disse coisas que prefiro nem te contar”, completa o mau caráter. Ele não diz mesmo, porque não foi dito nada. É apenas intriga.

Aliás, o carcará é o mestre da intriga. Da fofoca em seu sentido mais pejorativo. Bem no sentido americano da palavra: “gossip”. Mentira é com ele mesmo. O carcará pega a ex-namorada do amigo e nega até a morte. Ele pega a ficante do amigo sem que ele saiba e nega até a morte. O carcará olha os peitos da mulher alheia sem constrangimento. Ele não se penitencia quando se pega pensando nela. Ao contrário, masturba-se e dá risada. Se ela bobear, leva o bote. Alguém imagina que o carcará vai ficar com sua mulher e se casar com ela? Fez algo por amor e, portanto, valia à pena acabar com amizade pela musa de sua vida? Que nada. O carcará a come duas vezes. Na segunda, larga a moça no motel sem um tostão furado. O prazer é o golpe, a facada, a bicada na nuca.

Ele é praticamente um paparazzi amoroso. Um urubu ávido por restos mortais. Uma figura desprezível em qualquer circunstância, sem a qual o mundo seria mais divertido, mais honesto, mais tranqüilo. Trata-se de um câncer da guerra. A maçã podre de uma equipe de trabalho. A ovelha negra da família.


2 comentários:

Anônimo disse...

.. Acho que voce não conhece o verdadeiro valor das aves de rapina. Muito menos do Carcará, que tem muito mais coragem do que homem.

The Rafas disse...

Eu simplesmente nunca vi uma comparação tão ridícula quanto essa. As aves de rapina são as mais destras e competentes aves que existem. Normalmente são aves fieis aos seus, chegando a vagar solitárias pelo resto da vida quando perde seu parceiro.
Concordo com você referente as pessoas desprezíveis que utiliza da fragilidade alheia para crescer em cima de uma situação, mas por favor, comparar um carcara a um individuo desses, no mínimo você foi infeliz na sua comparação.
Te desejo melhor sorte nos seus posts e que tenha melhor discernimento ao analisar os membros nobres da natureza.